Quem é esse cara?

Essa é a pergunta que faço constantemente quando leio alguma resenha no jornal seja de um livro ou filme. O mesmo crítico que resenha Mário Vargas Llosa irá resenhar A Batalha do Apocalipse do Eduardo Spohr. Então ocorre uma invasão de intelectualismo e parcialidades, onde sempre o pior texto de Llosa será excelente e um best seller da literatura de entretenimento será um lixo. A crítica do texto segue um rumo que não sabemos o que motiva sua escrita, pode ser a linha editorial do jornal/revista ou até os presentinhos das editoras (nas rádios bem conhecido como jabá). O problema desta crítica com fortes tendências é o direcionamento de mercado. Certamente estes poucos livros criticados estarão nas prateleiras de destaque nas livrarias.

Hoje os blogs estão exercendo um papel importantíssimo na mediação da leitura. Os blogs especializaram-se em nichos, os leitores podem procurar blogs que resenham obras semelhantes, os blogueiros são experientes naquela linha editorial e na maioria das vezes são imparciais (não contando com posts patrocinados).

Machado de Assis já apresentada estes problemas da crítica e determinava que a crítica vai além do gostar ou não gostar, trata-se de um exercício de análise, de rigor científico. O autor deve ser analisado, o período histórico, as influências do autor, as polissemias da obra, as escolhas de palavras, alegorias. O crítico deve dissecar e pelo menos tentar ser ao máximo imparcial.

A crítica deve ser vista como um estudo de uma obra, não meramente como opinião. Certamente que a crítica tem um componente de opinião, mas não é só este componente.

Literatura Infantil e Enhanced Books

Certamente nem todo livro digital serão como esses exemplos, mas alguns tipos de livros podem usar todo o potencial da tecnologia para criar os “livros aprimorados”, os tais enhanced books.

O primeiro exemplo é a Alice in iPad. Atenção na simulação física dos objetos dentro das páginas virtuais.

E a nossa literatura brasileira já tem um representante, A Menina do Narizinho Arrebitado.

Callis leva livros digitais para escolas

No Publish News do dia 26/11/2010 saiu este post muito interessante sobre um novo modelo de negócios que está surgindo com o livro digital. A pioneira nesta inciativa é a Editora Callis. As escolas irão assinar um serviço com 40 livros digitais que poderão ser lidos nos computadores e até na lousa digital. Os livros também contam com plano de atividades e a Callis estará promovendo um ciclo de palestras para os professores integra-se nas questões tecnológicas e principalmente o uso do livro digital.

Essa questão das bibliotecas é um ponto que está sendo discutido inclusive nas universidades. Atualmente o MEC exige que os livros da bibliografia básica estejam disponíveis para os alunos. O que acontece que cada vez mais os alunos não utilizam as bibliotecas da universidade acabam fazendo download do PDF dos livros. Atento a esta questão, algumas editoras multinacionais estão vendendo uma assinatura para as universidades, cujos alunos podem ter acesso ao livro digital. Representa uma grande economia tanto financeira quanto de espaço. Também é uma grande oportunidade para os estudos na modalidade EaD.

Leia em: Callis leva livros digitais para escolas | Publishnews | Notícias

 

Livro digital nas escolas

“Qual é o título do texto? Qual é o nome do personagem principal?” Infelizmente essas ainda são os tipos de pergunta que os educadores fazem para os alunos do Ensino Básico como perguntas de compreensão do texto.  As pesquisas feitas atualmente evidenciam que a literatura no espaço escolar ainda é vista de forma superficial, não estimula-se as interações entre os pares, nem explora a polissemia dos textos, não permitindo que o aluno leia e resignifique o que foi lido.

Então a leitura passa ser vista meramente como mais um conteúdo programático e os alunos percebem o ato de ler como algo sem significado para suas vidas. Felizmente existem várias ações nas escolas para tentar criar o hábito de ler. Sem dúvida o mercado editorial necessita de leitores, que devem ser formados nas escolas. Mas não é só uma questão econômica, trata-se de um problema social. Ler é uma possibilidade de experimentar uma situação no mundo das idéias, criar hipóteses, refletir sobre ações na vida do personagem, terminar a leitura de forma diferente. Assim, no conforto de uma casa, biblioteca, praça é possível imaginar as diferentes resoluções. situações, emocionar-se. Esta experimentação sem dúvida é capaz de formar o sujeito.

O que pra mim é assustador é o fato de como as escolas são despreparadas para formar sujeitos, cidadãos. Desde a criação da impressão moderna do livro por Gutenberg até os dias atuais são mais de 500 anos e a escola brasileira ainda não sabe como utilizar os livros na sala de aula, prendem-se as listagens definidas pelo MEC, no conteúdo e não exploram a principal competência que é permitir que o aluno viaje, aprenda, modifique suas vidas através das experiências narrativas.

A essência está esquecida – encantar-se com histórias, viver outros mundos, conviver com outros personagens, contrapor experiências. Se a essência for mantida não importa a mídia ou formato. Não é uma questão de ser analógico ou ser digital. É uma questão de experienciar. Desta forma como que os meios digitais podem ser usados para encantar, maximizar a literatura entre jovens?

E como que as escolas vão trabalhar no Projeto OLPC (One Laptop per Child) no Brasil chamado de UCA (Um Computador por Aluno)? Cada computador destes quantos livros digitais poderão suportar? E não só livros digitalizados, mas uma série de obras multimídias, os chamados enhanced books. Temos que estar atentos para aproveitar as oportunidades e desenvolver a paixão pela contação de histórias usando todos estes recursos, incluindo o papel.